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Estatística

Piauí é o 2º estado com mais casos de hanseníase no NE

Segundo Giovana, quando ela estava se preparando para tomar a segunda dose do medicamento, teve hepatite medicamentosa

Postado em 30/01/2019 às 11:56 |

Giovana Batista é uma das pessoas acometidas pela hanseníase e, apesar de curada, em decorrência do diagnóstico tardio, ela acabou perdendo a sensibilidade nas mãos. Ela conta que começou a perceber manchas no rosto e procurou assistência médica, mas a hanseníase só foi diagnosticada muito depois, quando ela resolveu mudar de médico.

“Eu senti que tinha alguma coisa estranha, começou no meu rosto e tinha uma mancha na perna. Chegando no médico, me disseram que eu estava com uma micose, sendo que era hanseníase. Eles passaram cetoconazol para passar nas manchas e nada delas sumirem. Quando eu percebi que não estava sumindo, procurei outros médicos”, lembra.

Segundo Giovana, quando ela estava se preparando para tomar a segunda dose do medicamento, teve hepatite medicamentosa, o que a levou a uma série de internações, precisando suspender o tratamento. Ao retornar, ela usou medicação alternativa e todo esse problema ocasionou, como sequela, a perda da sensibilidade nas mãos de maneira irreversível. "É importante descobrir cedo. Quanto mais rápido você descobre, menos sequelas ficam", completa.

Campanha

A campanha Janeiro Roxo ocorre em todo o mundo como forma de combate e prevenção à hanseníase. Dentro do projeto, o Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-Ufpi) realizou ontem (29) um Mutirão de Combate e Prevenção à Hanseníase. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), dados apontam que, em 2017, foram detectados 1.068 casos novos da doença no Piauí. Os números parciais de 2018 apontam uma leve queda, com 962 casos, levando o Piauí a ser o segundo estado com o maior número de casos da doença no Nordeste.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil possui a maior incidência de hanseníase no mundo e, na quantidade total de casos, perde apenas para a Índia. A dermatologista Ana Lúcia da Costa explica que a hanseníase é, apesar de uma doença antiga, um problema de saúde pública. Segundo a médica, a hanseníase está na lista de doenças negligenciadas. Não há novas pesquisas sobre o assunto e o tratamento data da década de 1940.

Apesar de não matar, a doença possui alto índice de morbidade caso não seja tratada a tempo. “A hanseníase evolui com incapacidades. A doença afeta mais pele e nervos periféricos, dos pés, mãos e olhos. Se a pessoa não cuida, não é diagnosticada, os nervos podem inflamar e às vezes podem atrofiar, levando à atrofia das mãos e pés, ulceração e até cegueira”, esclarece.

A causa da hanseníase é uma micobactéria chamada bacilo de Hansen, em homenagem a Gerhard Armauer Hansen, o médico que descobriu o agente causador da doença ainda no início do século XX.

Hanseníase costuma ser confundida com impingem e pano branco

A hanseníase pode ser facilmente confundida com micoses, como a impingem, ou ainda pano branco ou vitiligo. Entre os sinais mais comuns da doença estão manchas mais claras que a pele ou avermelhadas, com alteração da sensibilidade (dormência local). As manchas podem ser localizadas ou espalhadas por todo o corpo, com a evolução da doença; mas elas não coçam nem doem.

Conforme explica a dermatologista Ana Lúcia da Costa, a dificuldade no diagnóstico da hanseníase é decorrente do preconceito com a doença e do desconhecimento em relação a ela. “Às vezes, uma pessoa sabe que têm e esconde ou não procura ajuda médica. Muito é o preconceito e também o desconhecimento, ignorância sobre os primeiros sintomas. Como a mancha não dói, não coça, a pessoa acha que não é nada”, completa.

Em caso de suspeita da doença, a pessoa deve procurar um dermatologista ou o médico do Programa Saúde da Família, já que muitos são treinados para fazer o diagnóstico.

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